ESTÚDIO
A Vestige existe porque a maioria das pessoas nunca vai pôr os pés dentro dos edifícios que vale a pena viver. A arquitetura não é portátil. Mas através da imagem ou do filme certos, um projeto pode chegar a alguém do outro lado do mundo que compreende exatamente o que o tornou digno de ser construído.
É esse o trabalho: não simplesmente fotografar um edifício, mas compreender como o arquiteto quer que ele seja percecionado, e traduzir essa intenção em algo que um desconhecido consiga sentir sem alguma vez atravessar a porta: a atmosfera, os materiais, as decisões, o cuidado por trás de tudo. Fundada por Lucas Freitas, na sequência de um estágio Erasmus dentro de um ateliê de arquitetura em funcionamento, onde a prática se desenvolveu ao fotografar projetos junto dos arquitetos que os desenharam. O trabalho mantém-se fiel a esse instinto: luz natural sempre que possível, exposição longa usada para dar escala a uma divisão através das pessoas que a atravessam, calma em vez de polida. Atualmente uma prática de uma só pessoa, com o estúdio pensado para crescer.
Fotografo desde os cinco anos de idade.
Cresci rodeado de media e comunicação, e as câmaras estiveram sempre presentes na minha vida. O meu pai tinha uma câmara que comecei a usar ainda criança, e o que começou como curiosidade tornou-se, aos poucos, a forma como aprendi a olhar para o mundo.
Mais tarde estudei fotografia na Escola de Fotografia e Imagem (EPI), em Lisboa, onde desenvolvi uma compreensão mais profunda do lado técnico e criativo da criação de imagem. Mas com o tempo percebi que o que mais me interessa não é simplesmente tirar uma fotografia. É tentar compreender um lugar primeiro, e só depois encontrar uma forma de traduzir essa compreensão numa imagem.
A arquitetura faz parte desse processo desde que me lembro. Por volta dos dez anos, fiquei fascinado pela arquitetura através de filmes e projetos que descobria online. Sentia-me atraído pela simplicidade dos espaços, pela forma como os materiais envelhecem e interagem com a luz, e sobretudo pela atmosfera que um edifício consegue criar.
Naturalmente, interessei-me por fotografar arquitetura porque me permite trabalhar de forma lenta e deliberada. Gosto de observar um espaço, compreender as suas proporções, materiais, luz e atmosfera, e só depois pensar em como o posso retratar da forma mais fiel possível.
Para mim, a fotografia é bem-sucedida quando permite que alguém que nunca esteve lá imagine o que é estar. Quero que quem vê a imagem consiga construir o espaço na sua própria mente, quase como imaginamos um lugar ou uma pessoa ao ler um livro.
A minha forma de fotografar tem mudado à medida que cresço, e espero que continue a mudar. Quanto mais fotografo, mais percebo o que procuro: luz natural, momentos de silêncio, materialidade e atmosfera, e acima de tudo, uma sensação de presença.
Lucas FreitasFotógrafo · Lisboa